A Autorrealização e um daemonzinho pra chamar de seu

Imagine que ao vir ao mundo seja entregue a você uma caixa. Ali dentro estão todos os tipos de objetos que representam quem você é. Ferramentas que indicam as suas habilidades e competências. Condimentos e essências para o seu temperamento. Traquitanas e quebra-cabeças que só você consegue montar, para o seu conhecimento.

Olha que interessante: se ao longo da vida você consegue usar tudo isso que está na caixa, se desafiando, crescendo em habilidades e dividindo isso com o mundo, então você pode dizer-se autorrealizado.

É comum falarmos depois de um bom feito que estamos nos sentindo realizados. Mas, indo ao cerne do conceito, autorrealização significa isso, ou seja,expressar o máximo do seu potencial.

“O que um homem pode ser, ele deve ser”

Maslow

Achei demais este conceito e fez total sentido pra mim. Ou seja, quando usamos o máximo do nosso potencial, nos desafiando ao máximo, nos sentimos o máximo!

As capacidades são necessidades. Elas clamam para serem usadas. Como pequenas entidades dentro da gente, que precisam ser utilizadas, caso contrário, definham. Sei bem como é se sentir assim, precisamos colocar pra fora o que fomos programados (ou agraciados) para executar.

Os gregos já pensavam assim lá na época de Aristóteles. Eles acreditavam nos daemons, supostos espíritos bons que habitavam cada um de nós. Como se fossem uma carga atributos e potencialidades que vieram ao mundo conosco. Um gênio interior. Eudaimonia, que seria estar habitado por um bom espírito, significa felicidade ou bem-estar. Um estado de plenitude por estar usando nossa caixa inteira.

Você deve lembrar deste conceito dos daemons pelo filme A Bússola de Ouro ou Golden Compass, em que um animal representa esta ideia. Bacaninha 😉

Filme “A Bússola de Ouro” ou “Golden Compas” usa a ideia dos daemons na narrativa

Os gregos acreditavam que a verdadeira felicidade implica em identificar as virtudes, cultivá-las e viver de acordo com elas.

Mas voltando ao nosso tema, todo mundo quer se sentir assim, não é verdade? Parece ser algo da nossa natureza, veio de fábrica. Se você sente que tem alguns objetos sem uso dentro da sua caixa, dá uma olhada nos 4 pontos que deixei abaixo pra sacudir essa poeira:

1. Conhece-te a ti mesmo

Estava escrito lá na entrada do Oráculo de Delfos (então deve ser verdade 😁). Os gregos já sabiam que este era o caminho para uma vida mais autêntica e feliz. Não dá para pensar em usar nossas potencialidades ao máximo se nem sequer nos demos a chance de conhecê-las.

Esta é sem dúvida a primeira tarefa. O autoconhecimento é fundamental para a autorrealização. E ele implica em não apenas encontrar coisas bacanas, mas aceitar-se também nos defeitos e limitações. Se eu me aceito, então eu posso mudar (é uma condição). E para o que não pode ser mudado, eu posso então dar de ombros com alegria.

Desejo de autorrealização: desejo de se tornar realizado naquilo que se é em potencial.

Andréa Perez

Existem várias formas de se conhecer. Uma delas é se permitir abraçar talentos e potencialidades que sabemos ter, calando aquela voz (sem vergonha) que nos diz que não somos capazes. Uma olhada no texto que fala sobre Mindset de Crescimento pode ajudar.

2. A Plenitude está no movimento

Tendemos a pensar em autorrealização como um objetivo, como uma meta, uma linha de chegada. A verdade é que não existe chegada, cume, clímax. A plenitude está no movimento.

Pensa comigo: se nos sentimos mega realizados quando estamos usando nossas capacidades ao máximo, é neste momento, quando as usamos, que nos sentimos assim. Isso implica em ação. Em aprender coisas novas, mudar de ideia várias vezes, fazer de novo.

Quando teoricamente “chegamos a algum lugar” terminamos a missão. Paramos. Isso causa o sentimento inverso. Ou seja, estagnação, vazio, depressão às vezes. É o que infelizmente acontece muitas vezes na aposentadoria ou quando achamos que já fizemos tudo o que havia para ser feito em determinado campo da nossa vida.

Por isso, mantenha-se fazendo, usando, aprendendo.

3. Deixe fluir

Se a questão está em usar o que a vida nos deu de presente, então o desafio é deixar fluir. Não é algo tão concreto que dê para responder teoricamente ou usando uma lista sem fim de testes de competências.

A autorrealização não é de modo algum um objetivo tangível pela simples razão de que quanto mais a pessoa se esforçar, tanto mais deixará de atingi-la”

Victor Frankl

Viver na intenção de encontrar algo é angustiante. Viver experimentado a si mesmo é o caminho, se permitindo. Este vídeo do TED é fantástico e fala mais sobre este assunto.

4. Não esconda a sua luz

Jesus é mesmo O CARA! Ele falou sobre isso (na verdade acho que ele falou sobre todas as questões existenciais) há 2 mil anos atrás. Ele disse que somos o sal do mundo, precisamos salgar. E que não se acende uma luz para então escondê-la.

Os dons nos foram dados para serem usados. Para sermos felizes com eles e para fazermos outros felizes também. E graças a Deus que temos dons diferentes! É assim que nos completamos e atribuímos sentido às nossas vidas.

“Ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa.”

Jesus, em Mateus 5: 15

Você sabe (ou tem uma boa pista) dos seus dons. Aquilo que você faz com facilidade, que seus amigos elogiam, uma tarefa que te envolve emocionalmente e por aí vai.

Deixar seus dons escondidos não é apenas um desperdício ou uma sacanagem com você. É uma sacanagem com todo mundo que deixa de usufruir das maravilhas do seu talento.

Se você ficou curioso pra saber se pode se chamar de autorrealizado, dá só uma lida nessa lista das 10 características das pessoas autorrealizadas (Kaufman, 2018). Ou seja, que características alguém apresenta quando usa todo o seu potencial:

  1. Apreciação contínua (das coisas simples)
  2. Aceitação (sem vergonha de ser você)
  3. Autenticidade (ser quem se é mesmo em situações indignas)
  4. Equanimidade (ânimo em qualquer circunstância)
  5. Propósito (meta, objetivo)
  6. Percepção eficiente da realidade
  7. Humanitarismo (desejo de ajudar)
  8. Experiências de pico (sentir que novos horizontes estão surgindo)
  9. Boa intuição moral (saber quando se faz algo errado)
  10. Espírito Criativo (que toca tudo o que faz)

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O conteúdo deste post tem como fonte a fala dos professores Andréa Perez e Wagner de Lara Machado, da PUC Rio Grande do Sul, durante o módulo Autorrealização, Propósito e Sentido de Vida, do curso Psicologia positiva, ciência do bem-estar e autorrealização.