English, I’m done with you!

Acho que este post é pra mim mesma. Já é chegada a hora de dar por concluída a tarefa de aprender inglês, se é que se pode terminar de aprender alguma coisa. Eu consigo me comunicar bem, me fazer entender (quase sempre), mas minha fala ainda é cheia de erros gramaticais, sei falar bem mais palavras do que sei escrever e faltam vocabulários específicos, para as mais variadas nuances além do turismo.

Na França eu pedi para comer um “crap” (= cocô) ao invés de um crêpe e na Bélgica pedi um “awful” (=horrível) ao invés de um waffle. Passo mais vergonha do que dou risada.

Mas por que será que isso acontece, já que estudo inglês desde que me lembro? E a resposta a gente já sabe, porque o que não usamos atrofia. Como diria Charlotte Mason “o conhecimento não é assimilado até que seja reproduzido”.

E neste caso você deve estar pensando que tenho alguma vantagem, mas infelizmente estamos quase quites. Mesmo estando aqui não tenho muitas oportunidades para falar em inglês, e a não ser que eu comece a bater um papo com a Nick e com o Théo isso não mudará no futuro próximo. Afinal, não dá para chamar de conversa as frases soltas sobre o tempo com um desconhecido à espera do tran ou a resposta a “vai querer a nota fiscal?” da moça do mercado.

Há algumas semanas comecei então novamente a estudar “na cartilha” e abaixo listo o que tenho aprendido aqui a este respeito (para que eu mesma tome vergonha e siga meus conselhos).

Os links são para aprender inglês, mas as dicas servem na verdade para qualquer idioma, já que para se comunicar plenamente em uma nova língua precisamos dominar estas 4 áreas:

2 habilidades são externas (escutar e ler) e outras duas são produzidas por nós (falar e escrever)

Listening

Existem muitos materiais bacanas que podem ajudar a melhorar sua “escuta” em inglês, unindo o útil ao agradável. Ou seja, ouvindo sobre um assunto que te interessa (vale para filmes, música, podcasts, etc). Mas o segredo aqui é na verdade a forma de fazer. Se você estiver largadão no sofá assistindo a um filme em outro idioma, ou você já  dominou complemente essa língua e está só curtindo ou está perdendo boa parte do conteúdo e também da oportunidade de aprender. Ou seja, se você estiver curtindo demais provavelmente não está aprendendo.

A forma mais eficiente de aprender a partir destas ferramentas é a seguinte: assista a primeira vez sem legenda e veja quanto do conteúdo foi assimilado. Assista novamente com legendas em inglês. Nesta hora anotando palavras novas e buscando seu significado. E por fim, assista a terceira vez, agora entendendo tudo e aí sim curtindo. Escolha materiais curtos à princípio e um pouco acima do seu nível atual, para um pouco de desafio. Só não muuuito acima para não se tornar uma tortura (você saberá a medida se tiver que pausar a cada frase para buscar por novas palavras).

Aqui estão algumas dicas legais de onde buscar materiais interessantes para ouvir: Ted Talks, clássico. O canal da School of Life no YouTube tem vídeos ótimos sobre todas as boas reflexões da vida. Netflix, tudo (com legendas em inglês, só não comece com Sherlock Holmes por favor, tente o Nemo e vá subindo a barra). Outra coisa que gosto muito são os Podcasts de resumos de livros. O Flash Books é uma boa opção, com a possibilidade de ir também ao Flash Notes e ler a transcrição dos textos. Outra alternativa muito legal é o BBC Podcasts.

E não podemos esquecer das músicas. É uma glória poder cantar sua música preferida na íntegra, sabendo o que quer dizer, ao invés de resmungar e disfarçar a maior parte do tempo, gritando alto no refrão. A técnica é a mesma. Escutar sem espiar a letra, depois ler a letra no detalhe e cantar, cantar, cantar até memorizar tudinho. É um jeito ótimo também de aprender expressões e treinar um jeito mais natural de conversar. Quem não quer sonha em chegar para alguém num dia comum e soltar um Can’t touch this!” (oh aí uma ideia pra eu testar esperando o tran!).

Reading

Nós podemos ler livros, notícias, sites, blogs e por aí vai. A dica aqui é, sempre que possível, ler em voz alta. Isso ajuda muito a melhorar sua pronúncia e entonação. Para começar faça uma limpa na sua timeline.

Troque alguns parentes e fotos de gatinhos por páginas de conteúdo interessante e em inglês. Algumas sugestões são The Talks, site com entrevistas muito bacanas (pra quem não quer perder a chance de ver umas celebridades no face), Vanity Fair (na mesma linha), The Guardian The New York Times (pra dar uma elevada no nível), The New Yorker (adoro, leitura interessante e sofisticada), CNN para notícias, National Geographic para conteúdos diversos. É claro que todos estes podem também ser consultados nos sites / portais e não nas redes sociais.

Para blogs, uma dica seria dar uma navegada pelo Medium selecionando os assuntos do seu interesse. Foi assim que eu descobri o Darius Foroux, que já fica também como outra sugestão.

Para livros, se você tem um Kindle pode dar uma olhada na mostra do livro para checar se o desafio está adequado ao nível. Estou lendo o The Minimalist Budget: A Practical Guide on How to Spend Less and Live More que tem uma linguagem bem acessível. Nestes casos, não siga a mesma sugestão acima de parar a leitura para buscar o significado de novas palavras. As destaque para consultar depois, mas siga lendo para não perder o embalo, entendendo a mensagem através do contexto.

Writing

É um pouquinho chato escrever por escrever, do tipo redação ” como foram as minhas férias“, então busque um contexto, como por exemplo trocar e-mails com um amigo com certa regularidade.

Outra sugestão é baixar o Grammarly, oh coisinha fantástica! Ele não só corrige as palavras erradas, como também a gramática, tal como sugere inteligentemente o seu próprio nome 😉 Você não viverá mais sem ele. A única questão é que me habituei a deixá-lo fazer o trabalho pesado. Agora me policio para tentar encontrar meus erros por conta própria e depois confiro com ele se está tudo certinho.

Fuja também o Google Tradutor e busque pelos significados de novas palavras em dicionários (existe isso ainda?) com tradução inglês / inglês. Algumas sugestões são Cambrigde, Mac Millan e Thesaurus.

Outra descoberta bacana foi o Ozdic, site que indica além do significado as combinações possíveis para aquela palavra. Se buscarmos por “mistakes” por exemplo, ele vai indicar adjetivos para acompanhar a palavra, preposições, que verbos normalmente seguem junto, e por aí vai. É um jeito de saber como usar o termo e não apenas seu significado.

Speaking

Este é o considerado o mais desafiador para a maioria das pessoas, seja pela timidez / medo de errar ou pela falta de oportunidades para exercitar esta habilidade. Para o primeiro só há um conselho, comece. Pior que eu você não fica. Para o segundo existem alternativas.

No site Italki você pode agendar horários para conversar com alguém do outro lado do mundo e pode também se cadastrar para conversar com quem queira aprender o seu idioma. Os valores são baixos e é um jeito legal de se manter na ativa.

Além disso existem os Meetups, é só ficar ligado para encontrar um evento perto de você. É uma oportunidade de conhecer gente, praticar e trocar uma ideia com quem está no mesmo barco.

Se nada disso funcionar, grave você mesmo falando. Isso mesmo. No começo pode ser muito estranho, mas é um bom exercício. E depois, ouvindo sua voz será possível que você mesmo perceba onde está errando. Se no começo se sentir muito estranho, assista uma série repetindo as falas em voz alta. É um bom teste também. Eu faço com Friends que já sei as falas de cor mesmo 😉

Muita gente se preocupa demais também com o accent ou sotaque. Se você é uma delas, Deixa disso! O importante é falar corretamente e se fazer entender. Franceses, italianos, indianos, todos têm sua sonoridade própria e tudo bem. De toda forma, é importante conhecer a correta pronúncia das palavras, e para isso existe o Phonemic Chart (aquelas letrinhas que ficam ao lado da palavra no dicionário, e que não entendemos, mas servem para explicar como a palavra deve ser pronunciada). A escola que estou frequentando foi a PRIMEIRA nessa vida a me ensinar isso, e faz muita diferença. Se você quiser treinar, esse app emite os sons para aprender e treinar.


Por fim, busque uma escola – presencial ou online – que seja a sua cara. Aí também tem opções de todos os tipos. Aqui em Amsterdam eu achei uma bem alternativa, a Mix Three, que na realidade é um centro cultural que também dá aulas de inglês. Algumas coisas bacanas da metodologia deles são:

  • Parte dos temas é definido pelos alunos, com base nas dificuldades que temos e interesses;
  • Sem livros, vamos incorporando os materiais à pasta conforme os temas;
  • Tarefa se faz antes da aula, assim todos já chegam podendo discutir o tema;
  • Sala de aula é lugar para revisar e interagir. Todo o resto que se pode fazer sozinho (ler textos, fazer exercícios, ver vídeos, etc) é feito fora da sala de aula;
  • Usamos o Google Classroom para organizar os conteúdos;
  • O foco é na interação multi cultural e troca entre as pessoas. Na minha sala temos uma russa, um holandês, duas italianas, uma espanhola, uma francesa e uma colombiana.
Voltando pra escolinha & espaço da Mix Three (estava rolando um show nesse dia).

E, acima de tudo, tente se divertir com o processo. É muito gostoso aprender uma nova língua, especialmente inglês, que tem milhares de conteúdos pra escolher. Faça deste momento algo bacana. Um tempo só seu. E, quando você menos esperar, estará reclamando de um crêpe awful que comeu por aí 😉

Gostou da dica do livro?

Continue aprendendo sobre o tema. Comprando pelo link abaixo você paga o mesmo preço e ainda dá uma forcinha pro blog continuar divulgando conteúdos como este 🤓.