It’s about time!

Depois do amor, o tempo deve ser o campeão de reflexões da humanidade, pelo menos sempre foi o meu.

Sempre carreguei alguma inquietação sobre o tempo. Será que estou o aproveitando como deveria? Quantos dias a mais ganharei de presente? O que fiz com este que ganhei hoje? Na adolescência eu tinha um adesivo no espelho que dizia Carpe Diem. Culpo ele um pouco por essa agonia.

A questão é que vida parece passar rápido demais. Se passava muito tempo no trabalho sentia que o tempo não era justo com os filhos. Se estava com os filhos, parecia que faltava tempo para estudar, para namorar, para mim, ou qualquer outra coisa. Enfim, parece que ele sempre falta ou incomoda, mesmo quanto é muito.

Sempre gostei de ler sobre como organizar o tempo, tentei mil métodos, mas ainda não achei a resposta. Talvez o mais profundo que fui nesta questão foi quando entrevistei pessoas com mais de 70 anos (uma delas com mais de 100) para meu trabalho de conclusão na faculdade. Elas me contavam sua história de vida, do comecinho até o dia da nossa conversa. Claro que recordando dos momentos mais importantes. Contavam sobre seus pais, sua infância, a escola, o primeiro namorado, a chegada dos filhos. Eu ia gravando tudo, depois transcrevia e lia para eles. Eram necessárias 3 ou 4 visitas para que a vida toda fosse contada.

Foi comovente ouvi-los falar quando ninguém mais queria ouvir e quando faltava tão pouco para serem esquecidos.

Muitos de nós tem a alegria de termos conhecido os avós, mas sabemos deles a partir da nossa ótica de netos. Lembramos das comidas, das brincadeiras, mas não realmente da sua história. O bisavô então, sabemos só o nome, e olhe lá.

Beauvoir disse que “é com adolescentes que duram um número grande de anos que a vida faz velhos”.

Daí vem a primeira faceta do tempo. Não queremos ser esquecidos.

Queremos que nosso tempo aqui nessa terra não tenha sido em vão. Queremos ter filhos, escrever um livro e plantar árvores para deixarmos algo nosso aqui. A cena deste filme sempre me comoveu. Ela fala um pouco sobre isso. Que casamos porque buscamos uma testemunha para as nossas vidas, alguém que estará ali mesmo nas pequenas coisas, nos mostrando que nossa existência não passará despercebida, que não será em vão. Muitas vezes são os amigos que fazem este papel, aqueles de verdade, nossos irmãos, pessoas que caminham conosco.

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A segunda questão é sobre quantidade versus qualidade do tempo.

Todo mundo sabe que a qualidade é melhor do que a quantidade, mas tenho percebido que, de fato, é preciso uma certa quantidade para que se possa aproveitar o tempo com o outro. O livro As 5 linguagens do amor tem um capítulo dedicado ao Tempo de Qualidade (que a propósito, é a minha linguagem do amor).

Lendo este texto me lembrei do tempo que passava com a Nicole depois do trabalho. Nós duas estávamos cansadas, eu de um dia inteiro na correria e ela de mais de 8 horas na escola. Claro que fazíamos o nosso melhor, mas naquele pequeno intervalo de tempo a vida tinha que correr. Era hora do banho, jantar, escovar os dentes, colocar pijama, histórias e cama, porque amanhã começa tudo outra vez. Não estou dizendo que a solução é largar tudo e se dedicar só aos filhos – não! cada um tem a sua história e em grande parte das vezes isso nem é possível – mas que, para ser bom, nós precisávamos de mais tempo.

Matar tempo parece ser a expressão mais suicida que há, mas muitas vezes é o que queremos mesmo fazer. Lembro que na primeira licença maternidade eu não conseguia ficar sozinha em casa. Olhava para a minha bebê e pensava: “Meu Deus, o que eu vou fazer com essa criança sozinha durante 8 horas?”. Era só o tempo de arrumar as coisas para correr pra casa da mãe, onde havia gente, barulho e distração. Da segunda vez a experiência já é um pouco diferente, porque já fiz o caminho e sei o quanto ele passa rápido. Os momentos são mais preguiçosos e tudo bem.

Já reparou que numa viagem a volta é sempre mais rápida que a ida? É porque já conhecemos a rota e ao invés de nos preocuparmos aproveitamos a paisagem. Com o tempo é a mesma coisa.

E a terceira e última reflexão sobre o tempo é a de que nem sempre é sobre viagens, arco-íris e algodão doce.

A vida acontece também nas quartas à tarde, é no cotidiano que se vive. Adoro o filme About Time. Se você não viu, veja. E cuidado que aí vem um Spoiler (sério, páre de ler agora, ou leia mas não fique bravo comigo depois).

O protagonista do filme pode voltar no tempo (assista lá e você vai entender porquê, não vou contar tudo né?) e nesta cena ele vive o mesmo dia duas vezes – assim como no filme Feitiço do Tempo, que você já deve ter visto na Sessão da Tarde. Só que na segunda vez ele relamente VIVE, com atenção. Não há nada de especial neste dia, um dia totalmente comum.

O tempo que temos é agora e muitas vezes precisamos o dividir com pessoas que não são as que escolheríamos, mas estão aí por um motivo. Cada momento faz diferença, na nossa EXTRAORDINARY ORDINARY LIFE, como ele diz. Dá uma olhada este pedacinho, é lindo:

“Foi o tempo que perdi com a minha rosa que a fez tão importante.” Saint-Exupéry

Tempo é a coisa mais preciosa que temos e que podemos dar a alguém, é uma fatia de vida. E pra ser bom, tem que ser com atenção plena. Seja através da tela ou pessoalmente, olhe, escute, perceba. O mundo (ou o feed) pode esperar.

Pedaços da nossa Ordinary Extraordinary Life!

 

 

“A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos”

Quem disse isso foi John Lennon ou Betty Talmage, Thomas La Mance, Margaret Millar, William Gaddis e Lily Tomlin ou Allen Saunders. Enfim! Alguém muito sabido falou isso, não se sabe ao certo quem primeiro.

Mas se você quer continuar refletindo sobre como usa o seu tempo, aqui estão dois materiais para dowload que podem te ajudar. O primeiro é um diagnóstico que vai te ajudar a refletir para onde seu tempo está indo e o segundo tem uma lista para identificar atividades que te trazem mais felicidade. Se você for casada / casado pode fazer a segunda parte deste exercício em dupla e depois trocar os papéis.

 

 

Pra encerrar mais um trecho dessa fofura de filme para deixar o seu dia mais lindo. Enjoy!

 


Créditos da foto para o queridíssimo e mega talentoso Daniel Machado

 

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