Let it be, let it be…

No último final de semana tivemos um momento família muito especial: um workshop sobre Gratidão. Passamos a manhã de sábado relaxando em casa, almoçamos algo simples e fomos caminhando até a casa da Nora, que mora a poucos quarteirões daqui e nos recebeu para um tempo de qualidade. Desde que saímos de lá parece que tudo o que vejo me lembra nosso aprendizado ali.

Tenho me sentido frustrada por não conseguir incorporar a nossa vida aqui tudo o que já estamos carecas de saber que faz parte de uma existência plena e feliz. Se conseguisse seguir todos os conselhos nós acordaríamos cedo, arrumaríamos a cama, teríamos uma rotina matinal com várias coisas bacanas, faríamos atividades físicas regularmente, meditaríamos, faríamos uma dieta de notícias, escreveríamos um agradecimento por dia, teríamos tempo para os amigos e para a família e tantas outras coisas boas de fato, mas impossíveis para nós neste momento. Se conseguirmos dormir 6 horas por noite já estaremos no paraíso.

Então, pensando melhor, acho que daria para resumir todos os meus votos de prosperidade e felicidade em duas coisas bastante simples. Simples de fato no conceito, mas que talvez nos tomem alguns anos de prática. Pois bem, minha nova meta é esquecer todo o resto e me concentrar nelas agora. Rufem os tambores, porque parece que a fórmula da felicidade está em… sermos gratos pelo que temos e deixar o resto rolar. Achou fácil demais? Pois bem, motivos não faltam. Dá só uma olhada.

Atitude de gratidão significa tirar da frente a obsessão pelo que não temos e simplesmente sentir-se pleno saboreando o que já está aí. Há muito mais a agradecer do que a pedir, sempre, mas parece que nosso saldo está sempre no vermelho. Sede insaciável provocada por nós mesmos e nossa expectativa sem fim.

Tenho me divertido ao ler “The Subtle Art of Not Giving a F*ck“, e certamente a mensagem central do livro está em não colocar nossa atenção no que não temos ou não somos, porque isso por si só nos afasta ainda mais dos nossos objetivos. Nosso foco exagerado (ainda que bem intencionado) no que queremos ser ou ter, cria uma certa obsessão que nos entristece por nos percebermos sempre aquém dos nossos sonhos. Se você quer ser rico, é porque NÃO É rico. Se quer ser magro, é porque NÃO É magro. E por aí vai. A ênfase está no que falta e não na gratidão pelo que se tem. Deixamos de aproveitar o que já somos de fato.

“The time to be happy is now, the place to be happy is here.” Robert G. Ingersoll

Segundo o autor, o simples fato de parar de perseguir tão desesperadamente estes objetivos por si só é mais efetivo para que a coisa vire para o nosso lado. Chame isso de Lei da Atração, O Segredo, Energia Positiva, Forças do Universo ou o que queira.

Estudando um pouco sobre PNL (Programação Neuro Linguística) no passado descobri três coisas importantes sobre o cérebro ou nosso subconsciente que reafirmam este ponto:

1. Nossos pensamentos geram reações físicas. Para tirar a prova é só fazer um exercício de imaginação. Imagine-se caminhando agora até a geladeira da sua casa. Faça mentalmente o caminho até lá, sinta a textura do chão. Pare em frente à porta e abra. Sinta o arzinho gelado vindo, dê uma olhada no que tem lá dentro e ache um limão. Tire-o de lá e o coloque sobre a mesa. Agora pegue uma faca e o corte ao meio. Pegue uma das metades e leve até a sua boca. Chupe o limão. Sinta o gosto azedo penetrando em cada cantinho da boca. E aí? Sentiu salivar? Isso é a prova de que seu corpo reage imediatamente e de diversas formas aos seus pensamentos. Para sua mente é tudo real. Você sente as consequências dos bons e maus pensamentos em você.

2. Sua mente não sabe a diferença entre medo e desejo. Se você tem um pensamento muito recorrente (eu tenho pavor de cair da escada aqui de casa, então sem querer me imagino rolando tipo novela mexicana várias vezes por dia) seu subconsciente poderá pensar que você quer muito que isso aconteça, já que pensa várias vezes e idealiza esta cena. A resposta dele será algo como: “Epa! É pra já! Saindo uma mola maluca escada abaixo!”.

3. Seu subconsciente não gosta de muito trabalho. Esta é uma das ideias de Joseph Murphy no livro “The Power of Your Subconscious Mind“. Segundo o autor, quando desejamos muito algo e sabemos que isso nos exigirá muito esforço e dedicação, nosso subconsciente interpreta isso como algo extremamente difícil, doloroso e tenta “boicotar” nossa empreitada. O segredo? Enganar nosso cérebro não pensando em algo que não temos, mas já nos imaginando lá, agradecidos por termos conquistado o que se deseja. Outra forma – minha interpretação – seria sermos gratos pelo que de fato já temos. O que sem dúvida já será muita coisa.

Isso não significa que o esforço é algo ruim, mas que devemos colocar sabor, alegria e generosidade no caldeirão quando estamos aprendendo algo novo.

Afirmações são também uma ferramenta muito poderosa, porque tem a capacidade de mudar nossos pensamentos e assim seus efeitos deles sobre nosso corpo e nosso estado de espírito.

Na realidade somos nós mesmos que nos colocamos nestas situações, a partir da imagem que pintamos de nós. Assisti um vídeo hoje em que se falava sobre uma pessoa que tinha um super sucesso profissional e zero sucesso nos relacionamentos. A questão era que profissionalmente sua postura era de confiança. Ela exalava isso e todos podem perceber algo assim, mas quando se tratava de relacionamentos amorosos ela se tornava insegura.

Afirmações e comunicação corporal podem mudar totalmente a forma como encaramos essas dificuldades e transformar nossas crenças. Este TED é totalmente fantástico para mudança na linguagem corporal (veja especialmente antes de uma entrevista, negociação ou apresentação importante).

“The greatest step towards a life of simplicity is to learn to let go.” Steve Maraboli

Talvez a questão mais desafiadora em parar de querer tanto e desenvolver uma postura honestamente grata está em preocupar-se menos. É impossível ser infeliz no tempo presente. No aqui, agora, não conseguimos ser infelizes porque estamos ocupados vivendo o momento, experimentando sensações e sentimentos de todos os tipos. Por isso a meditação nos acalma e muda nosso dia. É só no passado ou no futuro que sofremos. No passado pelo arrependimento ou no futuro pela ansiedade. Meu mal é este último. A questão quase nunca é a coisa em si, mas a expectativa que se faz dela.

Sempre que lembro disso me recordo da frase de um dos nossos amigos durante uma rodada de Poker – “Essa tal esperança só me f*”.  É algo bem menos profundo mas que sempre me arranca gargalhadas e me puxa para o presente. Me lembro que qualquer coisa diferente do que está acontecendo agora é expectativa.

Hoje este assunto chega a ser batido tamanha a quantidade de conteúdos relacionados ao Mindfulness e a atenção no momento presente. Na realidade este assunto é muito mais antigo do que podemos supor. Talvez os filósofos gregos tenham sido os primeiros a trazer à tona este tema, mas sem dúvida todos as grandes correntes filosóficas ou líderes espirituais falaram disso. Buddha, Osho, Gandhi, Madre Teresa – todos falaram sobre viver o presente, livrando-se das preocupações futuras. Talvez por saberem da obviedade que é o despropósito em se preocupar com algo impossível de ser controlado. Entre todos eles fico com Jesus, que falou claramente sobre não se preocupar e também sobre pedir algo em oração já imaginando o ter recebido (Ele concorda com Joseph Murphy então).

“Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.” Mateus 6:34

Pensando em tudo isso hoje consegui viver um dia mais feliz, só o dia de hoje. Afinal é só ele que temos. A conclusão é que nada mudou, a não ser minha expectativa. Tudo aquilo que quero continuo querendo, e fazendo a minha parte. Mas agora sem sofrência. Uma das minhas afirmações é “Eu estou exatamente onde eu preciso estar”, e não me refiro só ao endereço.

“It’s good to have an end in mind, but in the end what counts is how you travel.” Orna Ross

Não penso que assim estamos baixando a régua ou nos conformando com algo inferior ao que poderia ser. Muito pelo contrário, acredito de verdade que desta forma minha régua sobe lá nas alturas, na medida que importa, ou seja, a da felicidade.

 

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