Safari, pra quê te quero?!

Realmente é difícil entender porque uma pessoa como eu acaba fazendo três diferentes safáris na vida (aconteceu a mesma coisa com os raftings, experiência que definitivamente não é pra mim). Um já seria demais, mas por uma dessas coisas inexplicáveis acabou acontecendo. Já falei aqui sobre como sou corajosa e aqui vão mais algumas provas (do oposto) disso.

Antes de entrar em detalhes sobre cada um deles é preciso dizer que o objetivo do texto é encorajá-lo a fazer esta experiência.

Nem todo mundo (quase ninguém) é medroso como eu, e mesmo com certa resistência ao final adorei ter tido a oportunidade de fazê-los. Ou seja, não me leve tão à serio e considere que carreguei nas cores em alguns comentários (a lembrança é sempre mais divertida).

Por fim, algumas notícias recentes têm mostrado acidentes sérios, alguns fatais, em reservas na África do Sul. Acontece que muitos parques nacionais são abertos aos turistas que querem fazer o safári dirigindo seu próprio carro, e aí a questão da segurança e do respeito às normas do local fica à cargo do motorista. O importante é escolher um lodge bem organizado, pedir referências e ficar atento às recomendações do guia.

Fazendo isso, é só alegria!

1. Aquila Safari

Partindo de Cape Town são cerca de duas horas de viagem para chegar até esta reserva, na região de Worcester. Fomos em 2009, então certamente muita coisa mudou na estrutura de lá para cá. De forma geral as acomodações são boas, confortáveis e a comida bem típica da região.

No mesmo esquema dos demais lodges você consegue fazer até três safáris num único dia: um bem cedo (antes do café da manhã, toma-se apenas um chazinho antes de ir), um após o café e outro na parte da tarde. É bacana conseguir cumprir com esta agenda pois os hábitos dos animais mudam conforme o período o dia, e assim é possível ver espécies diferentes.

A reserva aqui era um pouco menorA impressão era mais de estar num zoo a céu aberto do que no meio da vida selvagem em si. Ainda assim foi possível ver os famosos Big Five Africanos (leão, elefante, búfalo, leopardo e rinoceronte) em toda sua majestade.

A medida em que o passeio acontece o guia vai contando tudo sobre o animal. Eles não levam armas para proteção. Segundo os próprios, o passeio é totalmente seguro. Os guias conhecem muito bem a reserva e o comportamento dos animais, de forma a sair de perto bem rapidinho no caso de qualquer possível hostilidade. Ainda assim, é quase insuportável a sensação que dá quando ele chega bem perto de um animal selvagem, para o jipe, desliga o motor, vira para trás e começa a dar explicações detalhadas sobre a biologia e comportamento do dito, que insiste em se aproximar. Aguenta coração!

As explicações foram excelentes, mas conseguiram me deixar com medo de animais que até então estavam fora da minha lista. Como o elefante, vingativo. Ou a girafa (tão querida que era) consegue dar chutes em 180º e abater até mesmo os mais ferozes, como o leão. Mas ok, faz parte.

Um fato que não posso deixar de fora do relato foi o ataque do búfalo. Ok, não foi bem um ataque, mas o bicho ficou nervoso. Nestas paradas para explicações sobre os hábitos dos animais eis que um búfalo não ficou muito à vontade na nossa companhia. Ele começou a bater com os chifres na parte de trás do jipe, e o guia, na tentativa de mostrar autoconfiança decidiu encarar. O búfalo não gostou. O guia então avançou com o carro alguns metros e continuou seu discurso. Desta vez nosso amigo búfalo decidiu acertar as contas diretamente com seu desafiante. Seguiu para o lado do jipe onde estava o guia e começou a dar cabeçadas. Para quem não sabe o búfalo é o mais agressivo e perigoso dos Big Five. Continuando a história, o guia que estava de pé não conseguia mais sentar para ligar o carro, pois neste caso ficaria bem na mira das cabeçadas. Ele começou a tentar espantar o bicho como se toca um boi (tipo Ohh!! Ohhh!) e ao som de gritos (meus) conseguimos sair dessa. Ele ficou lá atrás encarando, com jeitão de quem não gostou.

2. Garden Route Game Lodge

Esta reserva fica um pouco mais distante de Cape Town (357 Km), em Albertinia. É também um pouco maior e mais estruturada. As acomodações são excelentes, assim como as áreas comuns da reserva.

Este safári posso dizer que foi com bem mais emoção. Passei quase todo o tempo agarrada a uma senhora que estava sentada ao meu lado e não falava a minha língua. De alguma forma acho que nos entendemos.

Começamos pelos elefantes. Vamos dizer que não chegamos em boa hora. Na realidade eles estavam namorando e nós atrapalhamos tudo com nossa pouca discrição. O resultado foi o elefante correndo atrás do jipe e bloqueando a passagem do único ponto de saída do local (como ele é espertinho). Eu nem sabia que elefante corria assim. Ele abre bem as orelhas, faz um barulhão, balança a cabeça e vem! O guia percebeu um momento em que ele se afastou um pouquinho e passamos a toda velocidade pela saída que ele guardava.

Chegando na área dos rinocerontes mais fortes batimentos. Havia uma mãe cuidando do filhote e o guia perguntou ao grupo se gostaríamos de sair da trilha e chegar mais perto para vermos o rino bebê. Eu gritei nãoooo!! Mas ao mesmo tempo outras dez vozes gritaram siiimmmm. Só me perguntava para quê chegar tão perto. Será que esta gente não tem zoom na câmera?

Vale citar que o rinoceronte parece um animal tranquilo, sossegado, mas não se engane. Ele vai chegando de mansinho e quando percebe que está na distância correta ataca sem piedade. Fica a dica!

E por fim, e mais emocionante, veio a área dos felinos. Um portão e grades os separava do restante dos animais. As instruções eram: não gritem, não levantem os braços, não fiquem de pé, não se agitem, não entrem em pânico. Ok, vamos tentar.

O jipe ia andando em círculos, a cada volta se aproximando mais dos animais. A esta altura eu já havia aprendido a não me preocupar com o leão, mas sim com as leoas. E foi justamente uma dessas que quase nos matou do coração. Ela estava tranquila, como de costume o jipe desligado com o guia dando instruções e eu monitorando os 360º ao meu redor. De repente ela levanta a cabeça. Até aí ok, observando. Mas do nada ela dá um pinote e vem correndo atrás do jipe. Não consigo mostrar aqui nossa vilã pois as fotos dali pra frente foram só de grama, dada a velocidade que o guia arrancou. Mais tarde (passada minha tremedeira) ele explicou que ela só queria nos espantar dali, pois se quisesse realmente nos pegar teria conseguido, já que corre mais que o jipe. Eu não soube muito bem o que fazer com aquela informação, mas a guardei.

O parque tem ainda uma área para cobras e crocodilos. Achei que estas eu encararia mais facilmente, pois, à princípio, não tenho maiores problemas com cobras. Afinal, se representassem algum risco os guias não iriam as oferecer para nós. Mas na hora do vamos ver não rolou. No máximo uma aproximação de leve para a foto.

3. Ivory Tree Game Lodge

Para quem procura um pouco mais de sofisticação, mesmo em meio a vida selvagem, esta pode ser a melhor pedida. O Ivory Tree é um lodge 5 estrelas, localizado a cerca de 200 Km de Joanesburgo.

As instalações são fantásticas. Quartos super confortáveis, com direito à banheira e chuveiro ao ar livre (isso mesmo, você toma banho vendo os bichinhos nas árvores). A gastronomia é incrível e o staff super atencioso, com destaque para os guias que dão um show de simpatia. Sem dúvida eles fazem parte da experiência.

O passeio foi com emoção na medida certa. Os guias perseguem os rastros dos animais e se esforçam ao máximo para encontrar a maior quantidade possível de especieis para mostrar ao grupo. Chegam bem perto e só explicam sobre cada um deles se perguntados, caso contrário deixam por conta da contemplação. Ao final do passeio contudo estão tão enturmados que parecem um de nós.

A reserva é maior e com mais animais. Diferente daquela sensação de zoo, aqui realmente se percebe a vida selvagem. Durante nossa estada fizemos safáris bem cedo, pela manhã, tarde e até a noite — quando seguimos para um jantar no meio da savana. A partir daqui é possível ainda fazer o safári de balão, conforme contei em outro post.

Espero não ter assustado ninguém com as minhas histórias (vejam pela foto acima que estou sorrindo ao fim do passeio). O importante é saber que se você está indo à África do Sul este é um passeio obrigatório, com opções para todos os gostos, bolsos e histórias pra contar 😉

Quer dar uma olhada em outras experiências na África do Sul? Confira os posts sobre Ukutula e Caminhada com os Leões, Safári de Balão e sobre o Hotel The Palace, em Sun City.