SER HUMANA, um livro sobre todas nós

Há muitos anos sonhava em escrever um livro. Lembro de me queixar várias vezes sobre o excesso de vontade e a falta de inspiração. Sabia que queria escrever, sabia que queria falar sobre o feminino, a maternidade e tudo mais que envolve esse nosso universo, mas não sabia exatamente o que. Me faltava uma história. Depois que mudamos nossa vida do avesso isso não foi mais uma opção. Precisava escrever para que eu mesma pudesse me entender. E agora, meio como num susto, ele está aí! Tipo aquele filho que a gente quer muito, sonha, mas cai da cadeira quando vê o resultado positivo no exame. É engraçado ver como até nisso a vida é criativa demais. O livro é mais um produto inesperado desta aventura. Presente do céu!

Fico tão feliz por ter escrito! Se não o tivesse feito naquele momento jamais me lembraria das emoções que acabaram virando essas palavras. De um jeito totalmente despretensioso, aí está minha primeira pequena e independente produção.

Ser humana é uma coletânea de reflexões sobre a felicidade, o tempo, o trabalho, os relacionamentos, a fé e tudo mais que faz dessa vida algo tão louco e, também por isso, interessante demais. Comecei achando que era sobre ser mãe, os que leram me informaram que na verdade trata-se de um livro sobre ser mulher, mas agora estou achando que é um livro sobre ser gente mesmo.

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O Piangers, que generosamente escreveu o prefácio do livro, disse que o futuro é feminino. Eu concordo e não só no gênero, mas na forma de ser. Num mundo em que as máquinas se tornaram mais hábeis que nós, o que nos resta é a sensibilidade, o sutil, o não dito.

Penso que foi da geração das nossas mães a batalha pela igualdade de gênero. Num espaço tão curto de tempo nós passamos a poder votar, abrir uma empresa, de certa forma nos empoderamos. Essa luta está ainda longe do fim, claro, mas vejo na nossa geração outra parte dessa história. Uma luta pelo equilíbrio, pelo caminho do meio. Pela estrutura ou formato que nos permita sermos as profissionais que podemos ser, sem abrir mão do tempo de maternar e do espaço da família. Esta pequena sociedade espetacular que criamos nas nossas casas meio sem perceber.

Precisamos falar sobre isso. Precisamos ser as mulheres que podemos ser, para sermos as profissionais e mães que queremos. E este está longe de ser um papo só de mulher, é uma conversa para HUMANOS de todos os tipos.

Onde existe felicidade?

Uma das aflições do nosso tempo é liberdade de fazer escolhas. Nunca uma geração teve tantas opções, das mais simples às mais complexas. Podemos trabalhar em empresas revolucionárias, morar em qualquer canto do mundo, construir configurações familiares heterodoxas, ter vinte e três filhos ou nenhum. Nos perguntamos se estamos realmente felizes onde estamos, com as decisões que tomamos. Seríamos mais felizes em outro emprego, outra cidade, outra vida?

Há quem diga que felicidade é abraçar todas as possibilidades de explorar seus potenciais. Mas gosto mais da definição do Guimarães Rosa: “A felicidade se encontra é nas horinhas de descuido”. É como um gato que você tenta agarrar e foge de você mas, quando você menos espera, espreita e se aproxima, esfrega sua barriga em sua perna, dorme no seu colo. A felicidade está em todo lugar. 

Quando leio os textos da Gisele tenho certeza disso. Olho com admiração para quem tem a coragem de mudar de vida, ir para um outro país, criar filhos rodeados de zumbidos estranhos de uma língua nórdica. Sou feliz quando estou abraçado com minhas filhas no Brasil. Sou feliz quando vejo a família da Gisele abraçada lá do outro lado do mundo. Tenho minhas considerações a respeito do frio da Europa e me preocupo que estejam todos bem agasalhados. Me preocupo que estejam bem e felizes, me preocupo com a Gisele e com o Giu e com o Nick e o Théo como se fossem da minha família. Os textos da Gisele me aproximaram deles. Leio os textos da Gisele e percebo a felicidade em coisas simples, no singelo da vida, uma nova vida em outro país, um gato dormindo em nosso colo em qualquer lugar do mundo. 

Ser Humana é sobre ser feliz, mas também sobre chorar, sofrer, gritar, não entender. Sobre ser sensível. O feminino, dizem e eu concordo, é o futuro pois o mundo está cada vez mais cheio de algoritmos e robôs. Precisamos ser mais sensíveis. Em um mundo rodeado por máquinas o que nos diferencia é o humano. Em um tempo em que o computador já consegue processar dados mais rápido que um cérebro humano não é mais nosso cérebro que nos diferencia. É o nosso coração.

Dia desses, eu e minha esposa estávamos tomando “suco de gente grande” em um restaurante da cidade. Estávamos com nossas duas filhas. Era um desses restaurantes com quintal e parquinho para crianças. Minha filha pequena observava outra menina fazendo malabarismos na gangorra e cochichou: “Olha, pai. Como ela é boa”. Falou isso e saiu correndo ao encontro da menina. Puxou papo. Conversaram e brincaram por horas. Ficaram melhores amigas. Pediram pra dormir na casa uma da outra. 

A Gisele é como essa menina, e eu sou como a minha filha. Ela escreve lindamente na internet, eu leio a 10 mil quilômetros de distância e quero ser melhor amigo dela. Ela faz malabarismos bonitos com as palavras. Tenta explicar a vida, a sensibilidade feminina, a intuição, os dias difíceis e os mágicos. Uma vez me disseram: nasce um filho, nasce um blog de mãe. O material é vasto para reflexão. Nasceram o Nick e o Théo, nasceu o blog, e agora nasceu o livro. Uma delícia de livro, pra ler na praia, jogado no sofá em um sábado de tarde, em uma noite solitária, no ônibus indo pro trabalho. Um livro para se emocionar e se sentir acompanhado. Um livro para quem quer ter uma melhor amiga. 

Para ler em algum lugar do mundo. 

Onde existir felicidade.