Um mergulho no Mar Morto

Para mim que sou cristã visitar a Jordânia teve um sabor diferente. Era como estar na cidade de um amigo muito querido, mas que não estava em casa naquele momento. Ou ainda ir na cidade natal de seus pais. Você fica imaginando: é aqui que eles deviam vir tomar café. Este devia ser o cinema onde namoravam. Deviam passar sempre por esta praça. Era assim que eu pensava em Jesus no Rio Jordão, em Moisés no Monte Nebo ou Ló nas proximidades do Mar Morto. A todo momento curiosa por saber o que teria acontecido ali em tantos séculos de história, e com um sentimento de saudade de alguém que eu conheço tão bem e que passou por ali.

Nosso guia, muçulmano, falou muito sobre a história da família de Ló, sobrinho de Abraão. Mesmo quem não é de ler a bíblia já ouviu falar em Sodoma e Gomorra e a mulher que virou estátua de sal. A história, contada no livro de Gênesis, é mais ou menos assim:

Deus estava muito descontente com o comportamento das pessoas destas cidades e enviou dois anjos para destruí-las. Abraão tentou interceder a Deus pelo povo, ao que Ele respondeu que se houvessem dez justos ali as cidades seriam poupadas. Os anjos visitam a cidade e se hospedam então na casa de Ló. Ao saberem da novidade os homens de Sodoma e Gomorra cercaram a casa interessados nos moços. Os anjos cegaram os homens que tentavam invadir a casa e fugiram, instruindo Ló e sua família a deixarem a cidade imediatamente, sem olhar para trás, pois seria destruída. E assim foi, contudo, a mulher de Ló desobedeceu a ordem dos anjos e ao olhar a cidade em chamas foi transformada em pedra de sal.

A bíblia não fala sobre isso, mas acredita-se na Jordânia que depois de destruídas Deus submergiu as cidades, colocando sobre elas o Mar Morto, de forma que nenhum vestígio pudesse ser encontrado. É por isso que, às suas margens, eles acreditam estar ainda a estátua de sal da mulher de Ló, esta da foto.

O mar morto é alimentado pelo Rio Jordão, e banha tanto a Jordânia quanto Israel. A quantidade de sal ali é 10 vezes superior ao restante dos oceanos, o que impede a existência de qualquer vida (fora as bactérias). Outra coisa interessante é que ele está a 412 metros abaixo do nível dos oceanos, na parte mais profunda da Terra.

O que todo mundo sabe é que não dá para afundar lá e ao longo de toda a história gente do mundo inteiro (até Cleópatra, dizem) vem para saber como é boiar nas suas águas e se beneficiar da sua lama, rica em magnésio, potássio e cálcio.

Realmente é uma experiência muito interessante. O guia primeiro orienta sobre os cuidados. Eu, por exemplo, que uso lentes de contato tive que tirar. Primeiro pensei ser mais um cuidado, assim como não entrar de lentes na praia, para não sujar ou perder. Já estava me preparando para desconsiderar, porque nunca tive este cuidado todo, mas o fato ali era mais grave, e a gente só se dá conta do quanto é salgado depois que entra na água. Segundo ele, se a água respingasse nos olhos o material da lente poderia derreter, queimando a retina. Ok, ok, vamos de óculos.

Outro cuidado óbvio (nem tanto para a pequena indiana infeliz que vi) é não entrar de cabeça na água. Mergulhar, ou melhor, tentar mergulhar, é expressamente proibido. A água parece que queima seus olhos de tanto que arde, o negócio é forte mesmo. Se passa perto da boca então… se prepara! Vocês não tem ideia, arde tudo que dá para arder (deixo para sua criativa imaginação).

E como a sensação de não afundar é super diferente, o desafio é não se afogar. Se você perder o equilíbrio pode ficar girando na água sem conseguir colocar os pés no chão e acabar cortando os pés nas pedras. Aconteceu com uma das pessoas do grupo que rapidamente foi socorrido por um dos salva vidas do hotel. Mas falando assim parece um negócio complicado e arriscado. Não é nada disso. É super divertido. 

Começa com um banho de lama do mar morto para um tratamento todo especial na pele. Depois da lama secar (e das fotos feitas) é hora de entrar na água para experimentar a sensação. O hotel entrega sapatinhos de borracha para não escorregar nas pedras e até jornais para fazer fotos boiando e lendo o jornal na água. É pura diversão!

 

Ficamos no Kempinski Hotel Ishtar Dead Sea, em Madaba. Na cidade existem vários outros hotéis fantásticos à beira mar, mas este é realmente impressionante. Tanto pelo complexo em si, quanto pelo atendimento e gastronomia.

Experiência totalmente inesquecível, que terminou com um jantar privativo com direito a show de dança do ventre. Demais!

Se quiser conhecer um pouco mais sobre as experiências na Jordânia, dá uma olhadinha nos posts aqui e aqui. Fica a vontade de um dia voltar e conhecer a terra Santa #sonho.